Atentado a Bolsonaro gera incerteza e deixa campanhas em suspenso

Candidato do PSL à Presidência fazia campanha no centro de Juiz de Fora (MG) quando foi atingido por uma facada. Agressor foi preso pela Polícia Federal

Bolsonaro foi esfaqueado na tarde desta quinta em Juiz de Fora (MG)
Bolsonaro foi esfaqueado na tarde desta quinta em Juiz de Fora (MG)

O atentado com uma faca na quinta-feira (6) contra o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, lança ainda mais incerteza sobre a mais imprevisível disputa pela Presidência da República desde a redemocratização, e coloca em compasso de espera as campanhas dos demais candidatos que vinham centrando ataques no postulante do PSL, o líder da disputa.

Analistas ouvidos pela agência “Reuters” avaliam que o ataque contra o capitão da reserva, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG), que o levou a passar por uma cirurgia de emergência ainda na quinta, pode gerar uma comoção que beneficie Bolsonaro eleitoralmente.

Lembram, no entanto, que o candidato do PSL é uma figura controversa, com elevado patamar de rejeição segundo as pesquisas de intenção de voto, e terá um tempo limitado até as eleições para consolidar seu discurso após o ataque.

“Um evento como esse pode significar uma virada? Pode. Mas tudo depende da narrativa que vai ser construída a partir daí”, diz o cientista política Creomar de Souza, da Universidade Católica de Brasília.

“Eu acredito que nas próximas semanas, o que a gente vai ter que se atentar com muita calma é como a campanha do Bolsonaro vai internalizar o fato, que tipo de narrativa eles vão construir a partir desse fato e como os concorrentes vão internalizar a questão”, acrescenta.

Na avaliação de Carlos Melo, cientista político do Insper, é provável que o episódio renda votos a Bolsonaro, especialmente entre eleitores que pendiam para o militar da reserva, mas que ainda estavam constrangidos em assumir essa posição. Ele ressalta, entretanto, que o tamanho deste crescimento é incerto.

“Não vejo, porém, como e por que eleitores que antes o rejeitavam passem automaticamente a apoiá-lo. Não se deve confundir a solidariedade natural de momentos assim com a automática transferência de votos. É plenamente possível repudiar o atentado e ao mesmo tempo rejeitar o candidato”, diz.


Fontes: R7

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