[Carta aberta a morte] A dor não some, ela ganha sentido de vida.

O livro “Homens imprudentemente poéticos”(2017) do escritor português Valter Hugo Mãe, fala de pessoas simples, de camponeses de uma pequena comunidade do interior do Japão, e de forma subjetiva interpreto que suas formas de lidar com a morte nos ensinam a lidar com a vida.

Puente sobre el río Iya, en la isla Shikoku. Este valle es conocido como ‘el paraíso perdido’ de Japón. MACDUFF EVERTON https://elviajero.elpais.com/elviajero/2014/02/05/actualidad/1391606029_215873.html

A morte é algo a ser debatido e somos gratos, Valter Hugo Mãe. Como nos lembrou recentemente Gregório Duvivier, agradeçamos a arte e a cultura no geral, por nos lembrar a todo momento que estamos vivos. Mesmo que por um curto intervalo de tempo, mas estamos vivos, ainda que a testemunhar a morte, nos lamentar por sua injustiça, e conhecer a dor que rasga o peito daqueles que trocariam de lugar com a vítima sem pensar duas vezes, só para não sentir mais, culpa, solidão, aflição.

O personagem Itaro o artesão, sabia muito bem disso, e acrescenta mais, algo belíssimo que devemos nos apegar: a morte nos traz notícias do futuro.

Para além do instante da morte, a morte nos sussurra quem somos, e vai além disso, que seremos os próximos. E para que ela não nos leve em vão, precisamos devorar ela o tempo todo, e a essa brincadeira conceituamos de arte. Pois a dor não some, ela ganha sentido de vida. E essa nova vida só possível com a arte. Necessitamos voltar a “dormir com esperança” (MÃE, 2017, p.43).

Por Emanuel da Silva Oliveira

Caetés News
Emanuel Oliveira, historiador, mestrando em História Social da Cultura Regional pela Universidade Federal Rural de Pernambuco; e graduado em licenciatura em História pela Universidade de Pernambuco

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