Delivery faz entrega a pé em Caruaru-PE: Mais um caso de exploração de trabalhador

Entregador de comida é parado por policiais curiosos com o estranho caso do trabalhador que fazia entregas a pé. Essa situação em vídeo viralizou e levou muita gente a esquecer do contexto de exploração e focar apenas no heroísmo do jovem. Esse texto trata desse lado silenciado, que apesar do ato de bravura do José Anderson, sua história não deve ser romantizada, pelo contrário, devemos nos indignar com tais empresas de aplicativo e o governo que possibilita tais já comuns injustiças.

José Anderson foi abordado por policiais (Reprodução/TV Jornal Interior)

José Anderson é delivery de aplicativo a dois anos, de início fazendo suas entregas na bicicleta do vizinho, passou a entregar em uma moto ainda não quitada, porém a mesma apresentou defeitos mecânicos e o trabalhador ainda não tinha conseguido pagar o concerto. relatando suas dificuldades financeiras para conseguir sustentar sua esposa e sua filha recém nascida, os policiais que gravaram o vídeo abordando-o se emocionam e elogiam o esforço do jovem doando uma cesta básica.

De acordo com a entrevista cedida a TV Jornal Interior. Apesar do esforço evidente a todos, esposa de José Anderson, Estéfane Moraes, se emociona contando que tem dias que não têm o que comer e que sente orgulho dos esforços do marido: “Você fica desesperada dentro de casa, sem saber o que fazer. É bem difícil. […] Ele sempre corre atrás das coisas”.

O casal tem uma filha de seis meses de idade. Anderson não contém as lagrimas ao falar sobre a criança: “Eu digo para minha filha ‘Nunca vou deixar faltar nada para você, minha filha. Nunca vou deixar faltar o que comer dentro de casa”.

A precarização do trabalho vem em crescente nos últimos anos, principalmente a partir da aprovação Projeto de Lei (PL) 4.302/1998 em 2017. Que como previsto por Marcelo Paixão, economista licenciado da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) atualmente na Universidade de Austin, no Texas, ““a terceirização incide com mais intensidade sobre os setores historicamente discriminados: mulheres, negros e jovens. Um modelo de flexibilização plena os torna ainda mais vulneráveis do que já são”.

Atualmente, entregadores de comidas têm sido colocados como serviços essenciais durante a quarentena, no entanto, é visível a precarização do trabalho e a exploração dos trabalhadores. O ato de José Anderson é de superação, para muitos ele será um bom exemplo de determinação, comovendo a todos. Contudo, sua história triste revela também que não podemos naturalizar a exploração, empresas como: I food; Uber Eats; Rappi; Loggi, precisam ser responsabilizadas e o governo assumir seu papel de proteger os cidadãos dando fim a terceirização, e assim garantir os direitos trabalhistas necessários para a dignidade dos trabalhadores.

Caetés News
Emanuel Oliveira, historiador, mestrando em História Social da Cultura Regional pela Universidade Federal Rural de Pernambuco; e graduado em licenciatura em História pela Universidade de Pernambuco

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