Em menos de 24h, Bolsonaro anuncia mudança em seis ministérios

 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O início desta semana está sendo marcado por fortes abalos na Esplanada dos Ministérios, isso porque em menos de 24 horas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou mudanças em seis ministérios, sendo elas a saída de cinco ministros e uma troca de pasta. Movimento demonstra uma maior aproximação com o Centrão. 


“É um fato que as últimas pesquisas assustaram o governo e acredito que essas demissões tem a ver com isso”, comentou Caio Santos, mestre em Ciências Políticas. Em um cenário de forte pressão contra o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que enfrenta queda de popularidade e cobrança do Congresso Nacional para medidas mais robustas no enfrentamento à pandemia, as mudanças na Esplanada dos Ministérios, são sinais de uma maior aproximação com o Centrão, o que pode amenizar os impactos entre Legislativo e Executivo. 
“É difícil um presidente em descrédito com a opinião pública se manter no cargo ou vivo na disputa eleitoral que se aproxima sem a proteção de grupos políticos que dominam o congresso”, ponderou o cientista.

Após duras críticas do Congresso Nacional sobre a conduta adotada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, no combate à Covid-19 – sendo a dificuldade para obtenção de imunizantes para o Brasil um dos principais fatores -, o chefe do Itamaraty pediu demissão. Segundo Caio, Ernesto representava a figura que Bolsonaro vendeu nas eleições de 2018. “É fato que Ernesto representa a grande parte dos eleitores que fizeram de Bolsonaro a figura que a maioria do país enxerga”, comentou.


Neste final de semana, uma publicação feita no Twitter inflamou ainda mais a situação. Araújo publicou na rede social que a senadora Kátia Abreu (PP), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, havia cobrado uma postura do ministro frente a obtenção da tecnologia chinesa 5G, o que Ernesto destacou como indícios de que esse era o real interesse dos parlamentares, não as vacinas contra o novo coronavírus. A atitude de Ernesto Araújo revoltou o parlamento causando mais pressão para a sua saída da pasta. “Mesmo que o próximo nome não seja tão distante da prática de Ernesto, ainda assim aposto que o sucessor será menos falador”, ressaltou Caio. O nome cotado para assumir a pasta é o do diplomata Carlos França.
O General Fernando Azevedo foi outra mudança do dia, o militar deixou o cargo agradecendo ao presidente pela oportunidade de “servir ao país”. Especula-se que Bolsonaro havia pedido o cargo, mas o próprio ministro anunciou sua saída. “Saio na certeza da missão cumprida”, afirmou o ex-ministro, em sua nota oficial. O então ministro recusou o alinhamento das Forças Armadas com o governo. Em sua gestão, Azevedo trabalhou na ampliação do orçamento para as forças armadas e benefícios na reforma da previdência dos militares. A expectativa é que o presidente Bolsonaro anuncie outro nome militar para substituir o general.

O terceiro nome anunciado hoje, José Levi, era ministro-chefe da AGU desde abril de 2020, e foi o próximo ministro a deixar o cargo nesta segunda-feira. Bolsonaro e Levi têm um histórico turbulento, com a AGU se recusando a embarcar em iniciativas presidenciais, como a manifestação do governo ao Supremo Tribunal Federal, que não foi assinada por Levi, apenas por Bolsonaro. José também vinha se queixando sobre o posicionamento do Governo Federal quanto à pandemia, o que pode ter agravado a sua relação com o presidente. A vaga da Advocacia-Geral da União será ocupada pelo antecessor de Levi e então ministro da Justiça, André Mendonça. Cotado para assumir a vaga de Mendonça, Anderson Torres, secretário de Segurança Pública do DF, é amigo da família Bolsonaro.
“O governo nega, mas está a cada dia mais se aproximando do que chamamos de centrão. Esse apoio é caro e presidentes impopulares que constantemente precisam se desdobrar para manter essa proteção do centrão no congresso e conseguir passar coisas no parlamento”, concluiu Caio.
Ao todo, saíram de seus cargos: Ernesto Araújo, do Ministério das Relações Exteriores, o general Fernando Azevedo Silva, do Ministério da Defesa, Walter Souza Braga Netto, José Levi, ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU). A AGU será assumida por André Mendonça, que deixará o Ministério da Justiça. Outras mudanças feitas são a substituição de Walter Netto pelo General Luiz Pereira na Casa Civil da Presidência da República, além da demissão do Secretário de Governo da Presidência da República Luiz Eduardo Ramos, que será substituído pela deputada federal Flávia Arruda.

Casa Civil da Presidência da RepúblicaSai: Walter Souza Braga NettoEntra: General Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira;
Ministério da Justiça e Segurança PúblicaSai: André MendonçaEntra: Delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torres;
Ministério da DefesaSai: General Fernando AzevedoEntra:General Walter Souza Braga Netto

Ministério das Relações ExterioresSai: Ernesto AraújoEntra: Embaixador Carlos Alberto Franco França

Secretaria de Governo da Presidência da RepúblicaSai: Luiz Eduardo RamosEntra: Deputada Federal Flávia Arruda

Advocacia-Geral da UniãoSai: José LeviEntra: Pastor André Luiz de Almeida Mendonça.

Diario de Pernambuco

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