Novo Corona Vírus: Mortes não se resumem em números

Olá, você que me ler no futuro, hoje é quarta feira 06 de maio de 2020, afirmo essa data porque sei como está difícil até mesmo para sabermos qual o dia do ano em que estamos (desconfie do seu amigo que fica contando quantos dias de quarentena já se passaram, eu acho que ele está mentido com números aleatórios).

Por Tyukanov , Tempo. Dança da morte. https://www.deviantart.com/tyukanov/art/Time-The-Dance-of-Death-2005-158856429

Nossa percepção de tempo vem se modificando bastante nos últimos anos. Falo isso porque antes de Junho de 2013, não era normal lidarmos com alguns horrendos fenômenos históricos, como: descredito pela democracia e suas instituições;  saudosismo da ditadura militar; novos fascistas; poder político nas mãos de fanáticos religiosos; negacionismo científico; censura a arte; perseguições as minorias; queimadas da floresta amazônica; quase entramos em uma terceira guerra mundial; e agora enfrentamos um novo vírus, que lembra as “pestes medievais”.  

Desculpem-me ser invasivo, mas acabo de descobrir que as palavras mais buscadas por vocês no Google nesses últimos 7 dias foram: Máscara; álcool em gel; lavar as mãos e Isolamento. Importante saber que estamos tentando se adaptar, mesmo ainda apanhando todos os dias com um novo noticiário que diz que o “Ministério da Saúde acaba de atualizar o número de mortos para 8.535 pessoas”. Enquanto o ocupante do cargo de mais alto escalão nacional argumenta que “e daí? não faço milagre”, “não vão botar no meu colo essa conta”, “e daí? quer que eu faça o que?”, discursos raivosos de quem em algum momento achou que estava surfando na crista da onda e acaba por perceber que tomou um tombo horrível e de tão despreparado nem nadar consegue.

Para alguns, muito ocupados, que tiveram que parar por completo seus ofícios, estão lidando com algo quase esquecido pela rotina, o vazio; algo muito estranho e entediante, uma vez que, agora têm finalmente tempo livre, mas se encontram presos em pequenos metros quadrados, e não sabem o que fazer com esse limão meio podre. Então assistem, ouvem, especulam e leem tragédias o dia todo.

Uns que não por acaso estão sendo reconhecidos como heróis e merecem todo o nosso respeito estão trabalhando em funções primordiais e se expõem a grandes riscos pelo não colapso social. Alguns fingem que nada tá acontecendo, furam a quarentena, além de se divertirem como nunca numa disputa alcoolista com os cantores sertanejos das “lives”, outros mais jovens postam TBTs no Instagram, ou gravam vídeos rebolando, para ganhar mais seguidores e se tornarem influencers mais importantes.   

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O Covid-19 escancarou ainda mais nossas angustias gerada pela insegurança de não saber se vamos sobreviver, e se, como vai ser o futuro, oito mil quinhentos e trinta e cinco, não são números telefônicos, senha de banco, ou mesmo dados econômicos, se trata de seres humanos com sonhos, esperanças, amores, famílias, que podem ter encurtado suas vidas em razão de algum ato egoísta que burle as recomendações da OMS, portanto, mais uma vez, fique em casa, só saia se não tiver escolha, talvez esse seja o sacrifício mais importante das suas vidas.    

Caetés News
Emanuel Oliveira, historiador, mestrando em História Social da Cultura Regional pela Universidade Federal Rural de Pernambuco; e graduado em licenciatura em História pela Universidade de Pernambuco

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