Precisamos falar sobre o passinho de Brega-Funk

Recentemente um fato ocorrido na cidade de Garanhuns-PE, chamou a atenção das pessoas, gerando uma série de debates acalorados sobre a legitimidade de uma abordagem policial a um grupo de dança periférico que praticava sua arte no centro da cidade, que por consequência, acabou desmascarando uma constante perseguição aos adolescentes pobres, marginalizando ainda mais  sua cultura urbana de periferia.

Imagem divulgada pela página de comédia no instagram Garanhuns Ordinário

Nos últimos anos no Brasil, uma manifestação cultural em particular tem chamado atenção dos jovens e das diferentes mídias. Os “grupos de passinho”, assim como são chamados os jovens periféricos que se reúnem para dançar em ambientes públicos das cidades. Por sua prática bastante efervescente e contagiante, foi responsável por embalar os últimos dois carnavais, ao som do gênero Funk carioca/paulista,  ou em uma vertente do mesmo – o Brega-Funk pernambucano. Porém, por outro lado também chamou atenção de forma negativa os setores conservadores que formam parte da opinião pública.

Setores conservadores se negam a aceitar a manifestação cultural como apropriada para ambientes públicos, pois além da sexualização das danças e letras se trata de pessoas  que quando ocupam certos espaços legitimados como privados dos dominantes apesar de se apresentarem como “públicos”, causam mal estar social numa classe média/”falsa elite”  e assalariados reacionários, os ditos “cidadãos de bem”.

Uma vez que os adolescentes que ali se encontram nos “duelos de passinho” são pessoas marginalizadas socialmente, adolescentes que saem das periferias – lugares silenciados da imagem política da cidade – para os centros, se manifestando como parte da cidade, provocando a contradição da lógica de ocupação proposta pela dominação da elite garanhunense, que tenta a todo custo esconder a Garanhuns pobre, desmatada, desigual, marginalizada, violenta, na qual não chega a “luz (nem a magia) do natal”, mas chega suas tarifas.

Assim, essa forma que é legítima, pois os pobres não só podem como devem ocupar os espaços públicos de lazer das cidades, está sofrendo constantes ataques desse setor já mencionado, que se manifesta como: o poder político, por parte da prefeitura que cada vez mais tem investido em políticas segregacionistas preservando a distância entre o centro/elite e a periferia/pobre; boa parte da sociedade civil, que compra o discurso de medo do CEP, da cor e das roupas  que o grupo representa , possuem e usam; e como terceiro elemento  de força  a violência física e simbólica da abordagem policial, intimidadora aos manifestes da arte de periferia.

Caetés News
Emanuel Oliveira, historiador, mestrando em História Social da Cultura Regional pela Universidade Federal Rural de Pernambuco; e graduado em licenciatura em História pela Universidade de Pernambuco

2 thoughts on “Precisamos falar sobre o passinho de Brega-Funk

    • novembro 12, 2019 em 3:02 am
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      Obrigado pela leitura e incentivo, Manuella!

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