Universidades federais reagem a cortes de verbas e detalham prejuízos para a sociedade

Após reunião nesta quarta (8), no Recife, reitores anunciaram ações de conscientização sobre importância do trabalho acadêmico para a população, no dia 21 de maio.

Reitores de cinco universidades de Pernambuco reagiram ao corte de verbas para instituições federais anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) e anunciaram, nesta quarta-feira (8), uma série de mobilizações para mostrar a importância do trabalho acadêmico para a sociedade. Os atos estão previstos para o dia 21 de maio, em espaços públicos e nos campi das instituições.

Coordenada pela reitora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Maria José Sena, a mobilização contra os cortes também tem a participação das universidades Federal de Pernambuco (UFPE), Federal do Vale do São Francisco (Univasf).

A Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e Universidade de Pernambuco (UPE), mesmo não sendo federais públicas, se integram ao movimento.

“Queremos mostrar que a universidade não trabalha para a universidade, mas para a sociedade. A ideia é fazer com que as pessoas entendam como seria a vida se não existisse o trabalho acadêmico. Sem os 43 hospitais públicos do país, por exemplo, seriam 250 milhões de consultas a menos por ano”, diz a reitora da UFRPE, Maria José Sena.

A reitora da UFRPE também usa como exemplo o setor agropecuário. “Os profissionais são diretamente impactados pelos nossos estudos de melhoramento genético”, afirma Maria José.

A mobilização envolve a divulgação de vídeos nas redes sociais sobre as atividades feitas nas universidades, panfletagem e conscientização de pessoas em semáforos, mercados públicos e dentro das próprias instituições de ensino.

“Não há paralisação. A ideia é mostrar que nós funcionamos”, afirma o reitor da UFPE, Anísio Brasileiro.

Reitores de cinco universidades de Pernambuco se reuniram para discutir 'contigenciamento' de verbas das instituições federais  — Foto: Marina Meireles/G1

Reitores de cinco universidades de Pernambuco se reuniram para discutir ‘contigenciamento’ de verbas das instituições federais — Foto: Marina Meireles/G1

“O que queremos é aproximar as atividades acadêmicas da sociedade em geral, porque nossa produção impacta diretamente no que a sociedade consome”, diz o reitor da Univasf, Julianeli Tolentino.

Mesmo sem ser uma universidade pública federal, a Unicap também participa da ação porque, segundo o reitor da instituição, Padre Pedro Rubens, a instituição também utiliza programas federais de iniciação científica e financiamento estudantil.

“Somos uma universidade comunitária, uma instituição pública não-estatal. A nossa mobilização aqui é em prol da educação”, afirma.

O secretário de Educação de Pernambuco, Fred Amâncio, também esteve presente no encontro e demonstrou preocupação com o bloqueio de verbas para as universidades. “Ainda não temos uma noção exata, mas sabemos que isso também pode impactar a educação básica”, justifica.

Cortes

A redução de 30% nas verbas das instituições federais em todo o Brasil foi anunciada no dia 30 de abril. A divulgação ocorreu depois das reações críticas ao corte de recursos de três universidades públicas: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Em entrevista ao Bom Dia Pernambuco desta quarta, gestores das federais afirmaram que temem o encerramento de atividades nas áreas de graduação e pós-graduação. Eles também abordaram a dificuldade para manter contratos e pagar contas de água e energia.

Na sexta-feira (3), as instituições publicaram notas na internet e apontaram os impactos da decisão do MEC.

Impactos

Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) fica na Zona Norte do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) fica na Zona Norte do Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

Com cerca de 17 mil alunos, entre ensino médio, graduação e pós-graduação, a UFRPE teve R$ 27,94 milhões retidos do orçamento de custeio previsto e aprovado por meio da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2019.

As aulas acontecem no bairro de Dois Irmãos, na Zona Norte do Recife, e em outras 14 unidades de pesquisa e extensão espalhadas pelo estado. Antes do bloqueio, a universidade tinha R$ 90,46 milhões para receber em 2019, para serviços como manutenção, limpeza, segurança e conta de luz.

Na UFPE, o bloqueio é de R$ 55,8 milhões. Segundo o Conselho Universitário, do total bloqueado, R$ 50 milhões são relativos à manutenção dos campi do Recife, Caruaru, no Agreste, e Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata; e R$ 5,8 milhões têm como finalidade os investimentos.

Na Univasf, 84% do investimento programado foi comprometido, o que equivale a cerca de R$ 12 milhões. De acordo com o reitor, Julianeli Tolentino de Lima, as atividades de graduação serão afetadas diretamente.

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